Arquivo para abril \29\UTC 2007

Blue Bus, a informação em notas curtas pro seu dia a dia

Por Jacqueline Lafloufa

O Jába está aqui pra isso: pra te mostrar boas coisas pra ler no seu dia-a-dia.
E como a internet já virou rotina pra muita gente, aqui vai uma dica de site pra você se manter atualizado de forma rápida e informal: Blue Bus. Lá, você encontra notícias variadas, com um leve enfoque para a área de marketing e publicidade, mas com uma linguagem bem acessível para todos. Segundo os idealizadores do Blue Bus, a idéia é ser como um ônbus, ‘levar as pessoas aos lugares’, através de notas e tiradas para o dia a dia. O Blue Bus também conta sempre com a participação dos leitores, que enviam notícias e comentários que algumas vezes são publicados. No tráfego da web, vale muito pegar esse ônibus!


www.bluebus.com.br
Desde 1995 publicando notas curtas sobre quase tudo.

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Autodidatismo em belas letras estrangeiras

Por Jacqueline Lafloufa

Lembra daqueles cursos de idiomas da editora Globo, que eram vendidos por fascículos, e acompanhavamcursos globo idiomas uma in-crí-vel fita k7? Eu lembro de ter visto pessoas colecionando os fascículos, e na verdade me surpreendi ao procurar por esses cursos no Mercado Livre: o preço de venda pode ultrapassar a casa dos R$100. Com o tempo, cursos como esse pararam de ser lançados, mas podem ser encontrados agora em sebos e lojas de livros usados.

De qualquer maneira, sempre há gente querendo aprender e gente querendo ensinar. O site do canal alemão Deutsche Welle oferece uma variedade grande de notícias em alemão, tanto em áudio quanto em texto, além de oferecer um curso nos moldes do curso de idiomas da editora Globo, só que atualizado: em forma de podcasts.

O curso “Deutsche – warum nicht?” possui arquivos de áudio mp3, que podem ser escutados no computador ou num mp3player, e também têm arquivos pdf com uma espécie de “teoria” da aula em áudio. Depois do “Deutsche – warum nicht”, existem ainda mais dois níveis de aulas; esse tipo de iniciativa visa expandir o conhecimento do alemão de forma bastante autodidata.

Mas não precisa achar que é uma idéia mirabolante dos alemães para dominar o mundo. Porque se for, passaremos a culpar também outras tantas nacionalidades. Existe uma série de podcasts chamada “my daily phrase“, que ensina expressões básicas em idiomas como italiano, alemão e espanhol. Entretanto é um projeto que visa o público americano, portanto as “audio-aulas” são ministradas em inglês – inglês esse até fácil de entender, visto que não são americanos que fazem a locução.

Se você é do tipo que se interessa por outros idiomas, vale a pena dar uma “escutadinha”. No site Open Culture você pode encontrar links para podcasts e mini-cursos em diversos idiomas, como o espanhol, francês e alemão.

Imperativo envergonhado

Por Werner Plaas

O imperativo serve para dar ordens e conselhos. Os americanos usam e abusam do imperativo, basta lembrar aquele texto, ou música, ou videoclip, não sei ao certo: “Use filtro solar“, que é uma longa lista de imperativos de sugestão. Ultimamente eles têm usado suas prerrogativas imperiais com bastante sem-cerimônia tanto para sugerir como para dar ordens. Diferente de nós, brasileiros, que nos julgamos tão informais. Recentemente escutei uma mulher dizer à empregada:

* Joana, você limpa os armários hoje.

Pontuei esta frase como uma afirmação, mas justamente o que me chamou a atenção foi a dificuldade de estabelecer se o que ouvi foi realmente uma afirmação ou uma interrogação (que caracterizaria um pedido), pois no final a mulher incluiu um leve meneio com a cabeça, que minha experiência traduziu como um gesto de confirmação de compreensão do que foi dito. Este gesto também reforça pedidos:

* Entendeu?
* Você lava a louça para mim hoje?

Suponho que se fosse uma ordem inequívoca, ela soaria como:

* Joana, limpa/limpe os armários hoje, por favor.

Já um pedido pode ter vários graus de assertividade, e freqüentemente escuto a inclusão de um não como ênfase de polidez:

* Você não lava a louça para mim hoje?

Portanto, se fosse um pedido, a frase deveria conter alguma marca inequívoca para diferenciá-lo de uma ordem, senão quem escuta fica sem saber se tem a opção de aceitar ou recusar.

A primeira frase me soou estranha porque contém simultaneamente marcas de pedido e ordem, como se fosse um imperativo envergonhado.

Será que foi uma ocorrência isolada? Acho que não, pois de modo análogo, não seria raro escutar um(a) professor(a) anunciar ao final da aula:

* Então pessoal, para próxima aula, o texto do Fulano.

Trata-se de uma frase que nem verbo tem, mas que contém algo que também se arrasta no limbo entre ordem e pedido. O sentido exato deste pedido-ordem só pode ser recuperado pelo contexto anterior, pois não está claro o que se espera do texto do Fulano. Só trazer o texto para ler em classe? É para ler o texto em casa? Escrever uma resenha? Depende do que foi “combinado” num contexto anterior, em que o imperativo também pode ter sido omitido.

A interpretação que faço, ainda sem qualquer evidência sistemática, é que há uma tendência dos brasileiros de vexar-se numa situação em que ocupa a posição de dar ordens. Um receio de parecer autoritário em excesso ao expressar sua ordens diretamente com o uso do imperativo.

Algo como um fantasma nos lembrando que ordens são coisas feias. Ecos do passado que interferem na nossa língua hoje, talvez.

Entretanto, ordens precisam ser dadas e serviços precisam ser executados. (Aliás, a voz passiva também é legal para dissolver as marcas de quem faz o quê).
Para conciliar o irreconciliável, temos pedidos embutidos com a expectativa de ordens. E ai de quem não atendê-los.

Werner Plaas não é graduado em Estudos Literários nem em Lingüística ainda.

A Invenção de Bioy

Por: Fabio Martinelli Casemiro

 

Ao amigo Fábio San Juan
e à Prof. Dra. Míriam V. Gárate.

Numa ilha, um prisioneiro descobre uma máquina capaz de projetar imagens perfeitas de pessoas e de coisas. A mímese perfeita, a odiada por Platão. Aquela de que tanto se orgulhavam os gregos: a vaca berrava pelo camponês de mármore, que carregava seu bezerro.
O que me intriga a todo tempo durante a leitura da obra A Invenção de Morel é que o protagonista não destrói a máquina mimética. Num primeiro momento ele tenta. Possibilidades são abertas ao longo da trama de forma que ele possa tentar escapar da ilha, concentrar-se numa fuga odisséica. Mas, na verdade, seu ciúme não é do possível romance entre os personagens fantasmagóricos de Morel e de Faustine. (Aliás, Morel é alusão a “Moreau” e Faustine é a própria personificação do “Fausto” e seu “Mefistófeles”). O ciume do protagonista é da fantasia. É a fantasia que o impede de acessar Faustine, poupando-o, inclusive, de um possível desprezo por parte da amada. Se assim ocorresse, seu desprezo seria prazeroso, porque seria consciente e proposital… (Não nos pareceria mais tênue o desprezo inconsciente de Faustine, do que o desprezo consciente? Para o protagonista, não: ele prefere o sonho que pode ser frustrado à frustração que não pode ser sonho).
A Máquina do Dr. Morel é uma máquina mimética; o amor do protagonista imita um amor real. Seu amor é tão projeção quanto Faustine é projeção. O protagonista não é menos um projetor do que a invenção mefistotélica de Morel. O que ele sente pelo mecanismo inicia-se como ódio, mas em seguida migra para o desejo irrefreável de comungar com ele, abandonar sua própria liberdade, sua própria identidade para mesclar-se ao seu objeto de “ódio”. Ela, a máquina, é a possibilidade de gozo e de morte, a fusão de Eros e Thanatos, o prazer para além do real, a solução do triângulo mimético girardiano. É, assim, a força motriz, os fios que sustentam um títere a muito tempo inventado na história do pensamento ocidental: o leitor.
A Invenção de Morel não precisa ser inventada, como quer destacar Carpeaux no posfácio da edição brasileira: ela é a própria obra literária. O protagonista de A Invenção de Morel é o leitor que, compulsivamente, arrasta a obra para o banheiro, para a fila do banco, trocando a sua vida real (e sempre desinteressante por mais prazerosa que seja) pelas páginas da ficção. É o leitor que funda comunidades na internet para consagrar suas obras e seus autores; que viaja nas narrativas realistas indo aos lugares onde habitavam, na contiguidade da ficção, seus personagens prediletos. Formam sociedades, seitas, são os jovens leitores de RPG, Harry-Potter, O Código Da Vinci que querem se vestir, viver, extrair máximas para a vida prática ou ainda dar continuidade às mirabolantes descobertas extraídas das saborosas peripécias ficcionais.
A arte não imita a vida, mas a recria; ela possibilita um outro lugar do real que, quando levado às últimas consequências, para além das fronteiras entre o real e o ficcional, acaba por criar três categorias patológicas de nossa sociedade: o autor, o crítico literário e o esquizofrênico (e, por vezes, os três na mesma pessoa).
A máquina de Morel já foi inventada, Platão tremia de medo das ilusões da mimesis, Aristóteles rezava, em A Arte Poética, sobre os efeitos da catarse e Freud propôs um sistema terapêutico que colocasse o indivíduo no controle (ou na consciência sobre a impossibilidade do controle) de seus mecanismos projetivos, através da (des/re)construção da narrativa do indivíduo sobre si mesmo. O ser humano, sempre, conscientemente ou não, está preso às suas construções ficcionais. Não há sentido na vida. O primeiro problema do ser humano é o suicídio. Se decidimos contorná-lo (ou o colocarmos em stand-by), o problema que o segue é criarmos um sentido para a vida. (É o que equaciona A. Camus na primeira página de O Mito de Sísifo).
A grande consolidação do mecanismo ficcional na história da humanidade é a invenção do livro. O livro é a invenção de Morel. A grande proliferação desse mecanismo se deve ao bom e velho Guttemberg. Rádio, cinema, TV, internet são os desdobramentos imediatos dele. Ao protagonista da obra de Bioy é dada a escolha: “a morte na realidade, ou a vida na ficção?” Assim como o protagonista, todos os seres humanos, todos os dias de nossa vida (de uma forma especial os escritores, os teóricos da literatura e os esquizofrênicos) escolhemos a vida pela ficção.

 

 

Fábio Martinelli Casemiro
é Professor de História e mestrando
em Teoria e História Literária pelo
IEL/UNICAMP.
biophah@hotmail.com
http://www.balanagulha.net

As bibliotecas jamais conseguirão ser substituídas

| Por Jacqueline Lafloufa

Por mais que existam dezenas de sites que disponibilizam livros gratuitamente, não acredito que bibliotecas possam ser substituídas.

O prazer de ver um livro com capa dura, aliás, de ver estantes com centenas e milhares de livros, parados ali, em seu santuário, é insubstituível.

Talvez, no futuro, com eReaders , possamos ler mais livros em telas do que fazemos hoje em dia. Mas duvido que as bibliotecas deixem de existir.
São templos arquitetônicos de conhecimento.

Duvida? Então admire essas fotos:

BNF-PARIS
BNF – PARIS

 

BRITISH-LIBRARY-LONDON
BRITISH LIBRARY – LONDRES

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No mundo dos Jetsons: substituindo livros por “readers”

Por Jacqueline Lafloufa

Lembram-se dos Jetsons, aquele desenho animado sobre uma família futurista? Estamos cada vez menos distantes de uma realidade tecnológica como aquela.

Depois dos iPods, que revolucionaram o jeito como ouvíamos música, e do Youtube, febre dos vídeos online, a Sony lança o “Sony Reader”, que pretende revolucionar o modo como fazemos nossas leituras.

O “Sony Reader” é um dispositivo do tamanho de um livro normal (17,5cm x 12,5cm), mas com apenas 1,5cm de espessura. A maioria da área do dispositivo é consumido por uma tela, e ele permite que sejam transferidos cerca de 80 livros para leitura. A bateria tem autonomia para funcionar por cerca de ‘7 mil páginas’. Isso porque o Reader só consome energia para ‘virar’ as páginas.

A princípio, o Sony Reader custará cerca de US$350, mas ele ainda não é ideal: ele não tem dispositivos para ir diretamente a uma página específica, não lida muito bem com PDFs e também não tem luz embutida. Mas a área de leitura dele ultrapassa qualquer outro equipamento disponível no mercado, como PDAs e Palm Tops.

Se olharmos para os primeiros iPods, também veremos que eles não eram ideais; melhoraram muito e se aperfeiçoaram com o tempo, mudando completamente a forma como lidamos com música hoje em dia (para o desespero das gravadoras).


Da esquerda para a direita, da primeira à penúltima geração de iPods.

Quem sabe, num futuro não muito distante, todos nós teremos nossos readers pessoais, carregados de obras interessantes, e trocaremos livros uns com os outros por Bluetooth.

E então, acham que uma tela gigante com botões pode substituir um livro, ou seria melhor ser uma alternativa de leitura?

Fica aberta a discussão.

||UPDATE: Acaba de ser ‘lançado’ no Brasil o “eBookReader“, pela eBookCult, uma loja de livros digitais. A princípio, o “reader” será vendido apenas em grande escala, visando o mercado corporativo. Seu custo está estimado em cerca de R$999,00, e em suas funcionalidades constam algumas que não haviam no Sony Reader, como busca por texto e luz interna (para leitura no escuro). Pelo visto o mercado é promissor!!

| Veja mais sobre o Sony Reader na Info e no Terra Tecnologia

Indecisão Modernista

Por Leonardo Saraiva

O conceito de arte é mutável, sujeito a alterações sociais, culturais e, nos tempos contemporâneos, mercadológicas. Vimos o romance ser menosprezado como “arte menor”, nos primórdios de suas aparições, pela culta e sábia estirpe literária, e transformar-se no gênero mais popular e mais produzido do século XX. Acompanhamos a decadência da epopéia, gênero tão extensivamente comum na Grécia Arcaica, e hoje praticamente esquecido (em termos de produção). E, por fim, lamentamos as patadas e os puxões sofridos pela Poesia ao longo das alterações de escolas literárias, dos caprichos de teorizações pomposas, dos interesses e desinteresses sociais.

Sendo explícito e trocando em miúdos, quero falar da fuga modernista da arte convencional, resultado dessa vontade de seguir o fluxo de mudanças comum à arte, mas que me soa forçoso no presente caso. Escapar das regras e propor algo novo pode ser interessante em muitos casos; mas propor algo novo e ruim certamente é muito mal. E nem saber o que se propõe, de forma tão evidente e gritante (como irei expor), prova definitivamente a incapacidade do mundo moderno de realimentar as engrenagens artísticas.

Estamos nos contentando com a frase “vamos fazer algo diferente” e, na ânsia da novidade, avaliando mal o que temos às mãos. Como, Deus, diga-me como alguém pode gostar de algo que absolutamente não lhe atiça o cérebro, não lhe toca o coração, não lhe excita as entranhas? Como pode alguém gostar de algo que absolutamente não compreende, e nem pressente, nem suspeita do que pode estar ali representado? Como pode ser bom algo que não inquieta, não eleva nem repugna, ou seja, que é absolutamente indiferente?

Vamos dar dois exemplos desse tipo de “arte” que venho descrevendo aqui: na pintura, meu mais característico exemplo é Kandinsky. Ora, este exímio pintor, hiperbolizando tendências anteriores (como o cubismo de Picasso) e gostando de bolinhas e quadrados, resolveu não pintar absolutamente nada: nem reproduzir a natureza, nem distorcer o real, nem tornar sacro um ambiente, nem representar o sonho e o absurdo; não, senhores, o grande Kandinsky quis pintar bolinhas e quadrados, alternando cores aqui e ali, aparentemente aleatórias, numa lógica interna que não diz respeito nem a você nem a mim. E chamaram isso, com aplausos, de abstracionismo.

À poesia, por gentileza. Puxo da cartola o ilustre Mallarmé, que teve a idéia magnífica de fazer um poema com fontes de diferentes tamanhos, palavras espalhadas pela folha, frases desconexas e enigmáticas, de maneira que nem sabemos direito como começar a ler o negócio. Graças a Deus, ele não tinha um computador. Aí, ele morre, e algumas décadas depois surgem dois brasileiros, irmãos, que passam a apreciar muito esse tipo de manifestação escrita, e fazem uma poesia sem muito assunto, espacial, supostamente muito engenhosa, mas, na minha humilde visão, burríssima. Olhem as “crias” desse movimento iniciado pelos campos do Brasil, e tirem suas próprias conclusões: http://concretismo.zip.net/ . Ah, sim, chamaram isso de concretismo.

Vejam, senhores, vejam como os dois moviementos de esvaziamento do palpável para algo completamente infeliz e desprovido do mínimo traço de racionalidade tem, na pintura e na poesia, nomes opostos: ABSTRACIONISMO e CONCRETISMO.

De fato, eles não sabem o que querem.

O que eu queria mesmo era mostrar a divergência de nomes e xingar um pouco esses movimentos paralelos, irmãos e absurdamente contrários. Acho que já consegui.


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