No mundo dos Jetsons: substituindo livros por “readers”

Por Jacqueline Lafloufa

Lembram-se dos Jetsons, aquele desenho animado sobre uma família futurista? Estamos cada vez menos distantes de uma realidade tecnológica como aquela.

Depois dos iPods, que revolucionaram o jeito como ouvíamos música, e do Youtube, febre dos vídeos online, a Sony lança o “Sony Reader”, que pretende revolucionar o modo como fazemos nossas leituras.

O “Sony Reader” é um dispositivo do tamanho de um livro normal (17,5cm x 12,5cm), mas com apenas 1,5cm de espessura. A maioria da área do dispositivo é consumido por uma tela, e ele permite que sejam transferidos cerca de 80 livros para leitura. A bateria tem autonomia para funcionar por cerca de ‘7 mil páginas’. Isso porque o Reader só consome energia para ‘virar’ as páginas.

A princípio, o Sony Reader custará cerca de US$350, mas ele ainda não é ideal: ele não tem dispositivos para ir diretamente a uma página específica, não lida muito bem com PDFs e também não tem luz embutida. Mas a área de leitura dele ultrapassa qualquer outro equipamento disponível no mercado, como PDAs e Palm Tops.

Se olharmos para os primeiros iPods, também veremos que eles não eram ideais; melhoraram muito e se aperfeiçoaram com o tempo, mudando completamente a forma como lidamos com música hoje em dia (para o desespero das gravadoras).


Da esquerda para a direita, da primeira à penúltima geração de iPods.

Quem sabe, num futuro não muito distante, todos nós teremos nossos readers pessoais, carregados de obras interessantes, e trocaremos livros uns com os outros por Bluetooth.

E então, acham que uma tela gigante com botões pode substituir um livro, ou seria melhor ser uma alternativa de leitura?

Fica aberta a discussão.

||UPDATE: Acaba de ser ‘lançado’ no Brasil o “eBookReader“, pela eBookCult, uma loja de livros digitais. A princípio, o “reader” será vendido apenas em grande escala, visando o mercado corporativo. Seu custo está estimado em cerca de R$999,00, e em suas funcionalidades constam algumas que não haviam no Sony Reader, como busca por texto e luz interna (para leitura no escuro). Pelo visto o mercado é promissor!!

| Veja mais sobre o Sony Reader na Info e no Terra Tecnologia

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13 Responses to “No mundo dos Jetsons: substituindo livros por “readers””


  1. 1 Tomaz Amorim abril 14, 2007 às 2:30 am

    Este é um assunto que tem me interessado bastante ultimamente. A Internet parece estar passando por uma pequena revolução chamada Web 2.0. O artigo da Wikipedia sobre o tema (http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0) serve como ótima introdução para o assunto. Trato dele pois num vídeo bastante popular no YouTube (http://youtube.com/watch?v=NLlGopyXT_g), o autor trata, de passagem, sobre a influência das evoluções tecnológicas da internet como nosso comportamento do dia-a-dia. A revolução, na verdade, não está na invenção deste aparelinho. A tecnologia para isso já existe há muito tempo. A revolução se dará, imagino, quando repensarmos a questão de direitos autorais e de propriedade intelectual. Digo, se em meu iPod posso ter 1 giga de música (um iPod mediano), ou seja, algo perto de 10 CDs com boa qualidade, como será feita a venda de música? Será que as bandas começarão a compor música mais longas? O caso com os readers, este produto que já existe há pelo menos cinco anos, é ainda mais extremo. Um giga de livros, é carregar uma pequena biblioteca no bolso. Terei de pagar em separado? Compro um só livro do Saramago, ou sua obra completa? Pago algo ao Saramago? E como ficam as editoras, para que editora? Para que papel? E se… eu não quiser pagar nada para ninguém? Quem vai vigiar meus ctrl+c, ctrl+x? Tento colocar algumas das perguntas que me vem surgindo sobre esta revolução.

  2. 2 Jacqueline Lafloufa abril 14, 2007 às 9:21 am

    Bom, Tomaz, eu penso um tanto diferente.
    Eu acho que, na verdade, o que as pessoas insistem em chamar de “web 2.0” é apenas a maior participação das pessoas no mundo web.

    Pra mim, a aceitação de um produto desse tipo está estritamente vinculada ao preço do dispositivo no mercado. Porque não haverá muita discussão enquanto isso não afetar alguém, como por exemplo as editoras. Quando a coisa fica pop e começa a afetar o bolso das grandes empresas, ai sim isso entra em pauta nas reuniões.

    E eu espero, sinceramente, que as editoras possam aprender com o erro das gravadoras, na questão dos mp3 players e a venda de música. Se as editoras aceitarem que os tempos estão mudando e que devem existir formas alternativas de vender seus livros, elas podem colocá-los a venda virtualmente, em sites de compra online. E, claro, num preço bastante razoável.

    Eu pagaria 2 reais em música online. Eu pagaria 5 reais em um livro extenso como Casa Grande e Senzala, por exemplo, para tê-lo em meu reader.

    Com certeza, deverão ser criados métodos de segurança nos livros digitais, mas sempre haverá uma forma de burlá-la. Entretanto, as editoras não se sentiram ameaçadas pelas bibliotecas, que alugam seus livros e fazem com que as vendas diminuam. Então talvez seja hora de pensar um pouco no futuro. Eu considero esse Sony Reader basicamente como um protótipo, que deve ser melhorado de acordo com a aceitação popular.

    Vejamos o que vai acontecer no futuro. Quem sabe conseguimos, assim, salvar mais árvores e diminuir o aquecimento global! =) (brincadeirinha)

  3. 3 Tomaz Amorim abril 14, 2007 às 9:30 pm

    Oi Jacque,

    ainda vejo a coisa como parte de uma transformação maior (inpendente dos termos que se utilizam). Quando Napster começou com a troca de mp3s ele permitiu algo talvez inédito na história, que é doar algo que se tem sem perdê-lo. Lembro da polêmica com os idiotas do Metallica, virou até clipe, eles entrando num quarto de um garoto que baixava músicas, e levando embora sua televisão gritando “Estamos compartilhando!”. Não entenderam nada, quando se compartilha arquivos na internet não há perdas para nenhum dos lados. Claro, e está aí o ponto que quero tratar, há alguém que “perde”, aí está a discussão de direitos autorais que falei. (Brainstorm on) Não dá para desvincular isso tudo do capitalismo. Digo, antes sobreviviam de que os artistas? Mecenato? E quanto aos intelectuais, o conhecimento deve ser livre e universal, como na Wikipedia, ou deve ser individualizado e render lucro? Acho que nestas questões tenho mais dúvidas do que respostas. Minha opinião é a de que as coisas andam num bom caminho. Com as novas tecnologias o espaço entre o artista/produtor e o fã/consumidor está cada vez menor. Com um equipamento razoável você consegue produzir um CD e colocá-lo na internet sem uma gravadora. Com um blog você publica sem editoras. Assim a gente consegue, com o tempo, tirar este grande impecilho. Porque sabemos que o alto preço dos cds e dos livros não costuma ser culpa dos músicos ou autores. Tudo tende a baixar de preço, se democratiza a cultura (claro, supondo uma utópica democratização tecnológica) e os meios entre o produtor cultural e seu consumidor desaparecem. Para mim seria maravilhoso baixar o livro novo do Saramago por 5 ou 10 reis no seu site, ou uma nova tradução das obras de Shakespeare por algum tradutor novo por algum outro preço módico, colocá-los no meu Sony Reader e ficar feliz. Seria também uma maneira de selecionar a incompetência e tirar das mãos das gravadoras o poder de quase eleger os best-sellers.

    Só divagações, um beijo,
    Tomaz.

  4. 4 Leonardo abril 16, 2007 às 2:47 pm

    pra mim, é o seguinte
    as gravadoras já foram necessárias, quando não exitiam copiadoras de cd nem estúdios pequenos.
    hoje elas não são mais, e acabarão.
    e os músicos?
    ah, vão se desacostumando da riqueza! se vc é famoso, tá feito, se não, rala, porra! o que ganha por mês um Latino da vida? manda ele pra put* %&$*@#!!! e deixe-o alguns milhões mais pobre. só de show, esse tipo de gente ganha pra cacete. e sem gravadoras grandes, teremos mais diversidade musical, bem como mais igualdade entre os gêneros e gostos. acho até que quem vai no show do latino não vai no do deep purple (e vice versa), então nem tem muita competição assim. o contato direto com o público fa-lo-á eleger mais democraticamente os ídolos musicais, sem pressão estúpida da mídia. e se você é bom e tá comendo grama, boa sorte, eu pago seu couvert. mas com venda de CD, você não fica rico, não. não no século XXI

    e os livros?
    bom, considerando que a maioria dos autores que eu leio já morreram, eu nao tô nem aí, vou piratear mesmo. se o cara estiver vivo, é bom que ele dê aula, palestra, enfim, use a fama do nome pra ganhar dinheiro com outra coisa. sua produção tem que ser marketing pessoal, e realização pessoal também, mas se ele acha que vai virar a JK Rowling (sei lá como escreve o nome dela) escrevendo, pode chorar que não vai não. ainda mais com livros digitais bem difusos nos próximos 10, 15 anos.

    é isso. simples. vamos piratear, ninguem vive fácil de arte; não é uma profissão como qualquer outra. e desprofissionalizar a arte é fazê-la voltar à uma qualidade roubada pelo mercado.

  5. 5 Leonardo abril 16, 2007 às 2:50 pm

    merda, errei crase de novo…

  6. 6 Mateus Yuri Passos abril 17, 2007 às 4:01 pm

    hum…

    gosto demais de papel para ler numa tela digital. será que a dos Readers cansa (ou cansará) menos a vista?

    espero que não!

    (mas a idéia de carregar toda uma biblioteca no bolso é tentadora)

    já a questão do ‘acabará’ é um pouco complicada.

    pensaram que os livros e jornais acabariam com a vinda do rádio.

    eles sobreviveram.

    também sobreviveram à televisão e ao primeiro ‘boom’ de internet – o que acontece, sempre, é uma pequena crise durante o processo de mudnaça, depois uma adaptação e acomodação.

    uma dúvida — gerar MP3 é bem fácil…

    mas quem é que vai digitar todos aqueles livros?

  7. 7 Jacqueline Lafloufa abril 17, 2007 às 4:12 pm

    Mateus,

    Sobre o “digitar todos os livros”, existem processos de scaneamento que reconhecem o texto (OCR). Dificilmente ele reconhece TODO o texto, mas já poupa bastante o trabalho ne?

    Precisaria apenas de revisores.

    E tem muita gente que já faz isso na internet por ai, sem cobrar nada.
    dá pra encontrar títulos como “harry potter” e livros de dan brown disponíveis pra download. =)

    Então digitar não seria realmente o problema.

    Leonardo,

    verdade, algumas obras estão agora em domínio público, pois já tem bastante tempo que foram publicadas. ( a wikipédia explica como funciona o dominio publico em diferentes países)
    Existem, inclusive, obras que estão disponíveis no site Domínio Público. Nesses casos, não haveria nem o que comprar. =)

  8. 8 Mateus Yuri Passos abril 17, 2007 às 4:20 pm

    verdade, o Werner já usou um software desses para agilizar nossa antologia.

    algumas adições ao comentário:

    + o lado bom dos readers (e disponibilização de livros on-line) é que não haveria mais o problema dos títulos esgotados na editora.

    + será que bibliotecas e colecionadores escaneariam raridades?

    + não deixa de ser engraçado que justamente o Leo diga que o mercado corrompeu a arte… heh.

  9. 9 Leonardo Saraiva abril 17, 2007 às 11:49 pm

    por que “justamente o léo”?
    óóóó quero explicações óóóóóóó

  10. 10 Mateus Yuri Passos abril 17, 2007 às 11:54 pm

    uai, você é quem defendia os best-sellers!

    e também era contra os neo-detratores do Saramago, que passaram a repudiá-lo por ter começado a vender bastante (o que estragou o patrício foi o Nobel).

    [por falar em Saramago, não é muita caipirice o povo viver falando do cara por ser o Nobel lusófono? é a mesma história do astronauta brasileiro…]


  1. 1 10 coisas que eu gostarei de ver num futuro não muito distante: « Pensamenteando Trackback em abril 18, 2007 às 5:04 pm
  2. 2 As bibliotecas jamais conseguirão ser substituídas « Hermenautas Trackback em abril 20, 2007 às 12:42 pm
  3. 3 As bibliotecas jamais conseguirão ser substituídas « Pensamenteando Trackback em abril 20, 2007 às 12:44 pm

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